Plataforma de exploração offshore Dudgeon, da Statoil, associada à geração eólica offshore | Foto Jan Arne Wold Woldcam/Equinor
Além do mercado de petróleo e gás, tema pode ter impactos sobre geração eólica offshore e mineração
O decreto publicado esta semana pelo governo federal com a aprovação do plano setorial para os recursos do mar indicou avanço nas diretrizes sobre o uso compartilhado do ambiente marítimo.
O ordenamento é fundamental para o setor de energia no Brasil.
Campos marítimos são responsáveis pela produção de mais de 97% do petróleo e 84% do gás natural brasileira. Nos próximos anos, a costa deve passar a receber também projetos de geração eólica no mar.
Um dos objetivos do documento é avançar na implantação até 2027 do Planejamento Espacial Marinho (PEM), que visa ordenar as atividades econômicas e mitigar eventuais conflitos.
Coordenado pela Marinha, com participação do MMA e Ibama, o PEM teve início pela região Sul e vai avançar pelas demais nos próximos anos.
Uma das preocupações do setor de geração eólica offshore durante a tramitação do marco legal no Congresso foi o condicionamento desses projetos à conclusão do PEM, o que poderia atrasar os investimentos.
Outro objetivo relevante do plano é fomentar a criação de bancos de dados e de sistemas integrados, com a disponibilização das informações públicas. O levantamento de dados deve ser um dos próximos passos para o desenvolvimento das eólicas offshore.
O documento prevê ainda a promoção de estudos e pesquisas sobre o potencial mineral na costa brasileira.
O objetivo é “ampliar o conhecimento, a avaliação e o desenvolvimento do uso sustentável dos recursos minerais e permitir a celebração e a manutenção do contrato com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos”.
O Brasil é um dos 32 países que se posicionam por uma moratória quando o assunto é explorar o fundo do mar internacional.
ólicas nos EUA. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda (20/1) um decreto presidencial suspendendo temporariamente a emissão de novas licenças para projetos de energia eólica onshore e offshore em terras e águas federais. A medida reafirmou o compromisso de Trump de focar no crescimento da indústria de petróleo e gás.
Expansão da geração renovável. O Brasil vai expandir em 10 GW a matriz elétrica renovável em 2025, segundo a consultoria Thymos Energia. Já o consumo de energia geral do país deve crescer 4% em 2025 na comparação anual, em linha com o aumento registrado em 2024.
Primeira reunião de diretoria do ano. A Aneel aprovou a abertura de consulta pública até 10 de março para regulamentar o leilão de sistemas isolados, marcado para maio deste ano. Há a previsão de contratação de sistemas de baterias e de um percentual mínimo para fontes renováveis.
Serão licitados três lotes, em 11 localidades no Amazonas e no Pará. A potência total será de 49 MW, capaz de atender uma população de 169 mil pessoas.
Processos seguem empatados. A Aneel retirou da pauta da reunião de diretoria os processos empatados que seriam julgados com a presença da diretora-substituta, Ludimila Lima. Assim, os casos que dependem de um quinto voto deverão ser pautados em reuniões futuras.
São 19 processos acumulados desde o fim do mandato do ex-diretor Hélvio Guerra, que saiu da Aneel em maio de 2024. Um dos principais é a consulta pública que regulamenta os efeitos tarifários da quitação antecipada das contas Covid e Escassez Hídrica.
Hidrogênio. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse que o processo sobre a autorização de 13 projetos de hidrogênio de baixa carbono, na modalidade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), deve retornar ao plenário da agência o “mais rápido possível”.
Demanda de petróleo. O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou que a empresa continua a observar uma “boa demanda” de petróleo da China e da Índia. A utilização da China é, principalmente, para matéria-prima de materiais para transição energética.
Preço do barril. Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda na terça-feira (21/1), com o Brent ficando abaixo dos US$ 80 pela primeira vez desde 10 de janeiro.
Fórum Econômico Mundial. O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, destacou que a diversificação de fontes de energia é a chave para garantir a segurança energética no futuro. A declaração foi feita durante o fórum em Davos, na Suíça.
Combustíveis menos poluentes 1. A Petrobras obteve certificação internacional para comercializar bunker com biodiesel no Terminal de Rio Grande (Terig), no Rio Grande do Sul. O VLS B24, produzido pela companhia, tem 24% de biodiesel na composição.
Combustíveis menos poluentes 2. A Vibra começou a abastecer os caminhões da BR Aviation no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com uma mistura que contém 10% de diesel renovável HVO (sigla em inglês para óleo vegetal hidrotratado), além de 14% de biodiesel, junto ao diesel fóssil. A mistura também já é usada no Aeroporto do Galeão (RJ).
A empresa estima que a utilização do diesel verde no aeroporto paulista vai levar a uma redução equivalente a aproximadamente 80 toneladas de CO2 por ano em emissões.
Fonte: eixos
Por Gabriela Ruddy