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Primeira planta do mundo impulsiona inovação, reduz emissões e avança na certificação do RenovaBio
O Brasil dá mais um passo relevante na transição energética com o avanço da produção de etanol de soja em escala industrial. A iniciativa, liderada pela CJ Selecta, consolida o país como referência global em biocombustíveis avançados e reforça o protagonismo nacional em soluções sustentáveis.
A empresa, que atua na produção de Concentrado Proteico de Soja (SPC), óleo de soja, lecitina, fertilizantes organominerais e biocombustíveis, avança no processo de certificação junto ao RenovaBio, política nacional voltada à descarbonização do setor energético.
Projeto pioneiro transforma coproduto em biocombustível
O desenvolvimento do etanol de soja teve origem na necessidade de agregar valor ao melaço de soja, um coproduto com baixa rentabilidade e forte sazonalidade de demanda.
A iniciativa foi estruturada com foco em sustentabilidade e eficiência produtiva, buscando reduzir a pegada de carbono e integrar a cadeia produtiva da companhia. O etanol, inclusive, é utilizado como insumo essencial na produção de SPC, principal produto da empresa.
Inovação tecnológica viabiliza produção inédita
Por se tratar de uma rota tecnológica inédita, o projeto enfrentou desafios significativos desde sua concepção. Sem referências anteriores em escala industrial, a CJ Selecta investiu em pesquisa, testes laboratoriais e desenvolvimento em escala piloto.
Em parceria com especialistas em fermentação alcoólica, foram identificadas leveduras capazes de converter oligossacarídeos da soja — como rafinose e estaquiose — em etanol com viabilidade técnica e eficiência produtiva.
Esse processo permitiu a construção de um modelo industrial inédito no mundo, baseado em validação científica e inovação aplicada.
Capacidade produtiva e operação comercial
Com base no balanço de massa definido, a planta possui capacidade teórica de produção de até 10 milhões de litros de etanol hidratado por ano.
Desse total, aproximadamente 3 milhões de litros são destinados ao consumo interno, enquanto cerca de 7 milhões de litros podem ser comercializados, principalmente nas regiões de Araguari e Uberlândia, em Minas Gerais.
A construção da unidade teve início em 2020 e, após o processo de instalação e aprovação regulatória da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção começou em março de 2021.
Avanço no RenovaBio e potencial de geração de CBios
O projeto também avança no processo de certificação do RenovaBio, política que reconhece a redução de emissões por meio da geração de Créditos de Descarbonização (CBios).
Em 2023, a empresa solicitou formalmente a inclusão da rota de etanol de soja no programa. Por se tratar de uma tecnologia inédita, o processo de validação envolve diferentes instituições, incluindo a Embrapa.
Resultados obtidos pela ferramenta RenovaCalc indicam que o etanol de soja apresenta emissões 47,05% menores que as da gasolina, com índice de 46,28 gCO₂eq/MJ frente a 87,40 gCO₂eq/MJ.
Com esse desempenho, a estimativa é de redução anual entre 7 mil e 8 mil toneladas de CO₂ equivalente, com potencial para geração do mesmo volume de CBios por ano. A expectativa é que a comercialização desses créditos tenha início até meados de 2026, após a conclusão do processo regulatório.
Projeto reforça agenda ESG e estratégia da companhia
Para a CJ Selecta, a produção de etanol de soja representa mais do que a diversificação do portfólio. O projeto é considerado um marco estratégico, alinhado aos princípios ESG e à busca por soluções industriais sustentáveis.
A iniciativa reforça o posicionamento da empresa como referência global em inovação no setor de biocombustíveis.
Próximos passos incluem nova rota no RenovaBio
A companhia segue investindo no desenvolvimento da cadeia, com estudos sobre a pegada de carbono da soja e colaboração contínua com instituições como a Embrapa e a ANP.
O objetivo é viabilizar a inclusão definitiva da rota do etanol de soja nos cálculos do RenovaBio, ampliando o reconhecimento dos ganhos ambientais e fortalecendo o papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Setor reconhece avanço e potencial da soja
A iniciativa também recebeu apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que destaca o projeto como um avanço importante para a agregação de valor e diversificação da cadeia produtiva da soja.
Para a entidade, a produção de etanol de soja amplia a participação do grão na matriz energética e contribui para o fortalecimento da indústria nacional, em um contexto de crescimento do processamento e da demanda por soluções sustentáveis.
O avanço do etanol de soja em escala industrial evidencia o potencial do Brasil em liderar a transição energética com base em inovação, eficiência e sustentabilidade, ampliando o valor agregado da cadeia agrícola e consolidando o país como referência global em biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
(Cana Online)
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