TRF2 derruba liminar e restabelece imposto sobre exportação de petróleo
Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras/Reprodução/ND Mais
A alta do petróleo nesta terça-feira mostrou que o mercado voltou a precificar o risco geopolítico no Oriente Médio
O mercado de petróleo voltou a mostrar nervosismo nesta terça-feira (21), com o Brent se aproximando de US$ 100 por barril em meio à incerteza sobre o desfecho das negociações entre Estados Unidos e Irã.
A Associated Press registrou o Brent em US$ 98,48, alta de 3,1% no dia, enquanto outras coberturas apontaram que o barril chegou a rondar ou superar temporariamente a marca de US$ 100 antes de recuar com sinais de extensão do cessar-fogo.
O ponto central, porém, não é apenas o preço de hoje. O que mais preocupa o mercado é o impasse político e a falta de evolução clara para um acordo definitivo. As negociações entre EUA e Irã já haviam terminado sem acordo na semana passada, e mesmo a decisão de Donald Trump de estender o cessar-fogo veio cercada de ambiguidades, críticas iranianas e dúvidas sobre os termos finais de uma solução permanente.
Com bloqueio do Estreito de Ormuz, Trump promete remover minas e acabar com “extorsão” do Irã
Foto: Daniel Torok/Casa Branca/ND Mais
Esse ambiente de incerteza pesa mais do que a cotação isolada porque mantém em aberto o risco sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais sensíveis do planeta. O FMI e a UNCTAD vêm alertando que a interrupção ou instabilidade nessa passagem afeta não apenas petróleo, mas também gás natural, fertilizantes, metais e cadeias logísticas globais, espalhando o choque muito além do setor energético.
Aumento do preço do petróleo estava contido por medidas emergenciais
Até aqui, parte do impacto foi amortecida por medidas emergenciais e por ajustes de oferta, o que ajudou a conter uma disparada ainda maior do petróleo. Mas o próprio debate internacional já trata esse alívio como algo de duração limitada. O FMI vem insistindo que, se a crise se prolongar, os efeitos podem se intensificar ao longo de 2026, e os preços dificilmente voltariam rapidamente aos níveis anteriores ao conflito mesmo em caso de distensão parcial.
Isso significa que o risco maior continua sendo o de escassez relativa e de nova rodada de pressão sobre custos globais. Se o choque evoluir de tensão administrável para restrição mais séria de oferta, o barril tende a buscar outros patamares, com reflexos diretos sobre inflação, transporte, produção industrial e alimentos. A UNCTAD e o FMI já vinham chamando atenção exatamente para esse efeito em cascata.
Navios petroleiros utilizam o Estreito de Ormuz para transportar petróleo do Oriente Médio
Foto: Canva/ND Mais
Para economias mais sensíveis, como a brasileira, esse quadro é especialmente delicado. Petróleo caro significa pressão sobre combustíveis, fretes, custos empresariais e inflação, justamente em um momento em que o país já convive com juros altos e expectativa inflacionária deteriorada. O choque externo, portanto, não chegaria sozinho: ele se somaria a fragilidades internas e ampliaria os desdobramentos sobre atividade e poder de compra. Essa leitura é compatível com os alertas do FMI sobre impactos desiguais e mais severos em países mais vulneráveis a choques energéticos.
No fim, a mensagem desta terça-feira foi clara: o petróleo voltou a subir porque o mercado ainda não enxerga segurança suficiente de que haverá um acordo sólido entre EUA e Irã. E, enquanto esse impasse persistir, a economia mundial continuará operando sob tensão, com risco de novos choques e consequências que ainda estão longe de serem plenamente medidas.
Autor/Fonte/Veículo: ND+ Notícias
*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.