Frentista abastece tanque de caminhão a diesel em posto BR (Foto Divulgação Scania)
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As importações programadas de diesel para o mercado brasileiro em maio despencaram em relação aos desembarques registrados em abril. Segundo o monitoramento de navios feito pela ANP, estão programadas importações de 747 mil m³ de diesel S10 para os dias 1º a 27 de maio.
Nas programações até 29 de abril, foram 1,544 milhão de m³, quase todo desembarcado – ainda há cargas aguardando nos portos.
Apesar das perdas, o consenso entre o governo, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e outros órgãos envolvidos no monitoramento permanente do mercado é de abastecimento garantido, inclusive com tendência de superávit nos estoques.
Importadores chegaram a informar uma previsão de importações de 375 mil m³ para maio, o que levou o governo a estimar um saldo negativo de 255 mil m³ no balanço da oferta e demanda para maio. Os valores são informados na sala de monitoramento do abastecimento, coordenada pela MME.
A projeção atualizada pela ANP esta semana é baseada na fila de navios, portanto, feita de forma conservadora, dado que considera apenas dados reais, informados pelos agentes. Isso amplia a sensação de segurança no governo.
O Brasil consome mais de 4 milhões de m³ por mês de diesel S10 e produz 2,5 milhões nas refinarias nacionais. Os estoques de abril, por sua vez, devem superar os 2 milhões de m³.
O diesel S10 internacional chegou a quase dobrar de preço desde fevereiro, antes do fechamento do Ormuz: a Petrobras fica exposta a esse prejuízo na importação, em razão da defasagem no valor cobrado; e as importadoras – incluindo aí distribuidoras – precisam calibrar as compras para não perderem dinheiro na concorrência com a estatal.
Neste cenário, a Petrobras informou às autoridades que não vai importar diesel para atendimento ao mercado em maio, justificando que há aumento na produção das refinarias nacionais, fruto de investimentos retomados a partir de 2023 no parque industrial. A estatal comunicou a decisão no início de abril nas salas de monitoramento de crise.
Em uma média simples, o diesel S10 saltou de R$ 3,3603 (20/2) para R$ 6,4007 (10/4) por litro, uma alta de 90%. Depois recuou para R$ 5,5812 (17/4), refletindo a estabilização dos preços em meio às idas e vindas das conversas de cessar fogo entre Irã e EUA, que não chegaram a um bom termo. O alívio, portanto, é precário.
Consideramos o PPI informado pela ANP, em seu site, a partir de dados da S&P Global Commodity Insights.
E o subsídio? Ainda é uma promessa, dado que o benefício ainda não entrou plenamente em operação. A ANP editou a regra de preços de referência para o pagamento da subvenção em 27 de março, que está em vigor, mas ainda pode ser alterada com efeitos para frente após uma consulta pública encerrada na semana passada. Ainda é preciso concluir novas etapas para os subsídios criados pela segunda MP editada pelo governo em 7 de abril.
Autor/Fonte/Veículo: eixos
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