Brasil, Canadá, Estados Unidos, Indonésia e Índia representam 80% da expansão total de uso de biocombustíveis (Foto: Divulgação/UWGP)
Entretanto, competitividade do biocombustível importado é limitada
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) habilitou o primeiro produtor de etanol dos Estados Unidos para emitir créditos de descarbonização (CBIOs) do programa RenovaBio.
A autorização é uma resposta ao pedido da importadora Copersucar para certificação do etanol anidro produzido a partir de milho pela Plymouth Energy LLC, em Iowa (EUA).
Apesar do uso do biocombustível estrangeiro ser permitido nas regras do programa, este foi o primeiro pedido de certificação de importadores recebido pela agência.
O processo estava em curso desde janeiro.
A participação de produtores dos EUA no programa de descarbonização brasileiro tende a ser limitada, dado que os biocombustíveis importados têm uma pegada de carbono maior do que os nacionais e acabam sendo menos competitivos na emissão de CBIOs.
Este é mais um capítulo na guerra tarifária de Donald Trump contra o Brasil. Em abril, na época em que anunciou as primeiras tarifas — ainda 10% para os produtos brasileiros — um relatório do governo estadunidense apontou o RenovaBio como uma barreira comercial.
Outra crítica são as próprias taxas sobre o biocombustível importado. O Brasil aplica uma alíquota de 18% para os parceiros comerciais fora do Mercosul, o que alcança os EUA.
Quando Trump aumentou as taxas contra produtos brasileiros para 50%, a partir de agosto, o etanol foi incluído na lista de produtos sujeitos à tarifa.
A indústria brasileira vê nos biocombustíveis um dos caminhos com potencial aproximação entre EUA e Brasil nas discussões sobre o tarifaço.
A produção de etanol e de combustível sustentável de aviação (SAF) está na pauta da missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que vai a Washington nos dias 3 e 4 de setembro para levar propostas de colaboração.
Vale lembrar: a demanda no Brasil está crescendo, impulsionada sobretudo pelo aumento da mistura obrigatória à gasolina, que passou a ser de 30% este mês.
Depois de um recorde de demanda com 35,9 bilhões de litros de etanol consumidos em 2024, o consumo deve seguir elevado este ano e no próximo.
A projeção é de um novo recorde no consumo de etanol em 2026, com 37,3 bilhões de litros, segundo dados da EPE divulgados na quinta (21/8).
Em tempo, tudo indica que as tarifas dos EUA terão impacto menor que o esperado na economia brasileira. No caso do consumo de diesel, por exemplo, os efeitos serão pequenos, indicam as projeções da EPE.
O relatório bimestral da estatal mostra que as perspectivas econômicas internas favoráveis e a adoção do Plano Brasil Soberano devem ajudar a manter o consumo nacional do combustível em níveis altos este ano.
Autor/Fonte/Veículo: eixos
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