Banco projeta oferta de 8 milhões de toneladas de DDGS até 2031 e avalia que disponibilidade de ingredientes para ração não deve limitar expansão da produção de carnes no Brasil
A expansão do etanol de milho, do processamento de soja e da produção de sorgo deve ampliar e diversificar a oferta de ingredientes para alimentação animal no Brasil nos próximos anos. Segundo estudo do RaboResearch, do Rabobank, divulgado em setembro, esse movimento tende a reforçar uma das principais vantagens competitivas do país na produção de proteínas animais: a disponibilidade de matérias-primas para ração.
De acordo com o relatório, a oferta de ingredientes para alimentação animal não deve se tornar um limitador para a expansão dos setores de carne bovina, suína e de frango até 2031. As projeções indicam que o crescimento da oferta deverá permanecer à frente das necessidades da indústria, reduzindo o risco de gargalos de abastecimento.
Entre os principais vetores dessa transformação está o avanço da indústria de etanol de milho. A expansão da capacidade de produção do biocombustível vem elevando a disponibilidade de DDGS, coproduto do processamento do milho utilizado na alimentação animal, e alterando gradualmente a composição das rações, historicamente concentradas em milho e farelo de soja.
Oferta de DDGS pode chegar a 8 milhões de toneladas
Segundo o Rabobank, a oferta de DDGS cresceu a uma taxa média anual de 21% nos últimos cinco anos, acompanhando a rápida expansão do etanol de milho no Brasil. A projeção é de que a disponibilidade do coproduto alcance 8 milhões de toneladas em 2031.
O banco destaca que esse crescimento ocorre ao mesmo tempo em que parte do milho passa a ser direcionada para a indústria de etanol, reduzindo o volume disponível para utilização direta na alimentação animal. A produção de DDGS, no entanto, deve compensar parcialmente esse movimento e favorecer uma maior diversificação das formulações de ração.
O DDGS reúne energia, proteína, fibra e outros nutrientes e pode substituir parcialmente tanto o milho quanto o farelo de soja, dependendo da espécie, da composição da dieta e das condições de mercado. Segundo o relatório, o potencial de substituição varia de 20% a 30% da matéria seca em bovinos de corte, de 10% a 20% nas dietas de suínos e de 5% a 15% na alimentação de frangos.
Para o Rabobank, a maior disponibilidade do ingrediente aumenta a flexibilidade das formulações e pode ajudar na redução dos custos de alimentação quando o DDGS apresenta preço competitivo em relação ao milho e ao farelo de soja.
Farelo de soja e sorgo também ampliam oferta
Além do DDGS, o aumento do processamento de soja deverá elevar a disponibilidade de farelo no mercado brasileiro. O relatório considera que o avanço da mistura obrigatória de biodiesel tende a estimular o esmagamento da oleaginosa. Para atender uma mistura de 20% de biodiesel ao diesel, o processamento de soja poderia alcançar aproximadamente 69 milhões de toneladas, acrescentando cerca de 5 milhões de toneladas à produção de farelo de soja em relação ao volume estimado para 2025.
O RaboResearch ressalta que podem ocorrer atrasos na implementação formal da mistura de 20%, mas mantém a expectativa de crescimento do processamento de soja. Como a oferta de farelo deve avançar em ritmo superior à demanda, o banco avalia que os preços tendem a permanecer competitivos, favorecendo o consumo pelo setor de proteínas animais.
O sorgo aparece como outra alternativa para ampliar a flexibilidade da alimentação animal, principalmente em regiões ou janelas de plantio nas quais o milho segunda safra apresenta maior limitação. A produção brasileira, que atingiu 6 milhões de toneladas na temporada 2025/26, é projetada em 10 milhões de toneladas até 2031.
O Rabobank avalia que tanto o sorgo quanto o DDGS deverão ganhar participação nas formulações de ração nos próximos anos, embora milho e farelo de soja continuem como os principais componentes.
Ração pesa no custo das proteínas
A diversificação ganha relevância porque a alimentação representa a maior parcela dos custos operacionais dos principais segmentos de proteína animal. Nos confinamentos bovinos, a ração responde normalmente por 70% a 80% dos custos operacionais. Na suinocultura de Santa Catarina, representou aproximadamente 72% dos custos no primeiro semestre de 2026, enquanto na produção de frangos no Paraná respondeu por 63%.
Segundo o estudo, uma oferta maior e mais diversificada de ingredientes, incluindo DDGS, farelo de soja e sorgo, pode ampliar a flexibilidade das formulações e reduzir a exposição dos produtores às oscilações individuais dos preços das commodities.
A análise do Rabobank indica que, mesmo utilizando premissas conservadoras para a incorporação de DDGS e sorgo às rações, a relação entre oferta e demanda de ingredientes permanece confortável até 2031. Para o banco, esse cenário dá suporte à continuidade do crescimento da produção pecuária e avícola brasileira.
O relatório também avalia que a maior disponibilidade de insumos para ração, somada aos ganhos de produtividade e às perspectivas favoráveis para a demanda doméstica e externa, fortalece a capacidade do Brasil de ampliar a produção e as exportações de proteínas animais e de agregar mais valor internamente à produção de grãos.
Natália Cherubin para RPAnews
Autor/Fonte/Veículo: RPA News
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