Apesar das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, especialistas afirmam que abastecimento está garantido e destacam papel do etanol e do biodiesel na redução da dependência das importações

As recentes tensões no Oriente Médio e as preocupações sobre possíveis impactos no fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz reforçaram a importância da matriz de biocombustíveis brasileira para a segurança energética nacional. Embora o cenário internacional mantenha o mercado atento, especialistas afirmam que o abastecimento de combustíveis no Brasil permanece garantido e que a ampla utilização de etanol e biodiesel reduz significativamente a vulnerabilidade do país diante de crises geopolíticas.

A avaliação foi apresentada durante a estreia do novo formato do Conexão SCA Brasil, evento que reuniu o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM), Sérgio Araújo, o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, e o sócio-diretor da SCA Brasil Aliança, Alexandre Menezio.

Segundo Araújo, o Brasil não registrou qualquer interrupção no abastecimento, mesmo diante da escalada dos conflitos na região.

“O Brasil não sofreu impacto no abastecimento. Tivemos importações regulares em fevereiro, março, abril, maio e junho, e o abastecimento para julho está garantido. Independentemente do fechamento ou da abertura do Estreito de Ormuz, temos previsão de chegada de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de diesel e 250 mil metros cúbicos de gasolina, volumes suficientes para complementar a produção nacional e atender à demanda do mercado”, afirmou.

Apesar do cenário tranquilo no curto prazo, os especialistas destacaram que o principal fator de proteção do Brasil é a diversificação da matriz energética, especialmente com a elevada participação dos biocombustíveis.

Etanol e biodiesel reduzem dependência externa
De acordo com Martinho Ono, o país seria muito mais vulnerável às oscilações internacionais caso não contasse com a produção nacional de etanol e biodiesel.

“Se o Brasil não contasse com o etanol hidratado e com os 30% de etanol anidro misturados à gasolina, nossa dependência externa seria muito maior. Da mesma forma, a mistura obrigatória de biodiesel reduz significativamente a necessidade de importação de diesel. Temos uma matriz energética da qual devemos nos orgulhar”, destacou.

Hoje, enquanto a gasolina apresenta dependência externa próxima de 10%, favorecida pela produção das refinarias nacionais e pela atuação de refinarias privadas, o diesel ainda exige importações equivalentes a cerca de 25% a 30% do consumo brasileiro, permanecendo como o principal ponto de vulnerabilidade do abastecimento nacional.

Segundo Ono, a infraestrutura instalada no país já possui capacidade para acompanhar a expansão prevista no programa Combustível do Futuro.

Atualmente, o Brasil produz entre 8 bilhões e 9 bilhões de litros de biodiesel por ano, mas poderá elevar esse volume para algo entre 12 bilhões e 13 bilhões de litros com o avanço gradual das metas previstas na legislação.

“Com o avanço gradual previsto na legislação, podemos chegar a uma produção entre 12 bilhões e 13 bilhões de litros de biodiesel, reduzindo ainda mais a necessidade de importações e gerando benefícios econômicos e ambientais para o Brasil”, afirmou.

O executivo ressaltou ainda que, em diversos momentos recentes, o biodiesel apresentou preços competitivos em relação ao diesel importado, ampliando sua atratividade econômica.

Logística segue como principal desafio
Embora o abastecimento esteja assegurado, a distribuição dos combustíveis continua sendo um dos maiores desafios do setor, principalmente para atender regiões mais distantes dos grandes centros de suprimento.

Segundo Alexandre Menezio, as operações logísticas exigem planejamento constante devido à complexidade da malha de distribuição brasileira.

“Quem acompanha o abastecimento no campo sabe que a logística faz toda a diferença. Em algumas regiões, o diesel leva de quatro a cinco dias para chegar à propriedade rural após a compra. Existem operações extremamente complexas, envolvendo transporte rodoviário e hidroviário, o que exige monitoramento constante dos estoques e da programação de suprimento”, explicou.

Para o executivo, a inteligência de compras e o planejamento antecipado tornam-se fatores estratégicos para reduzir riscos operacionais, minimizar impactos logísticos e garantir o abastecimento em um ambiente marcado por elevada volatilidade nos mercados internacionais.

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

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