Abastecimento de veículo a diesel (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Os leilões de diesel da Petrobras levaram a venda do combustível até 75% mais caro, com “prêmio” chegando a R$ 2,65 por litro em polos do Norte e Nordeste. O “prêmio” é o jargão do mercado para o valor cobrado acima do preço de tabela nas bases e refinarias.
Assim, mesmo com reajustes abaixo das cotações internacionais, a companhia acaba repassando a uma parcela do mercado interno a pressão inflacionária gerada pela guerra no Oriente Médio.
Os leilões foram programados antes do reajuste de sábado (14/3), quando o diesel A da Petrobras subiu de R$ 3,10 para R$ 3,65 por litro – mais 38 centavos, dos quais 32 centavos são transmitidos na cadeia em razão da mistura de 15% de biodiesel.
Ao todo, a companhia ofertou 190 milhões de litros desde o leilão de Canoas (RS), no Rio Grande Sul, realizado após produtores rurais se queixarem da falta de combustível. Um leilão de lote adicional de 40 milhões de litros programado para segunda (16/3) foi adiado.
Os maiores preços foram registrados na oferta para as regiões Norte e Nordeste, onde 80 milhões de litros foram vendidos com adicional de até R$ 2,650 por litro. O lance inicial era de R$ 2,05 por litro.
É um ágio de cerca de 75% em comparação com valores de importantes polos da região, como Ipojuca (PE), onde fica a refinaria Abreu e Lima; e Pecém (CE) e São Luís (MA), portos de entrada dos combustíveis na região.
No Sudeste, os volumes para Paulínia atingiram prêmios de até R$ 2,41/litro, enquanto em bases para atendimento à Região Metropolitana de São Paulo alcançaram R$ 2,23/litro. São ágios da ordem de 60%.
Os preços são próximos da paridade internacional, repassada parcialmente pelos leilões para o mercado interno, enquanto a maior parte do fornecimento segue os valores da tabela reajustada no sábado.
Os cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que mesmo após o aumento o litro de diesel nas refinarias da estatal ainda estava 60% abaixo do internacional na segunda, com espaço para um aumento de R$ 2,18. Na gasolina a diferença era de 50% ou R$ 1,26 por litro.
Em nota, a estatal afirma que “a venda de produtos por meio de leilão é uma prática comercial prevista nos contratos firmados com as distribuidoras, com o objetivo de complementar a oferta regular ou a captura de oportunidades através da venda de volumes adicionais, de forma competitiva, transparente e isonômica”.
Autor/Fonte/Veículo: eixos
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