A oferta de etanol anidro no Brasil encurtou, gerando especulações sobre importações de até 200.000m³ entre outubro de 2026 e março de 2027, impulsionando os prêmios no mercado à vista.
A oferta de etanol anidro encurtou no Brasil, provocando especulações sobre importações nos próximos meses, gargalos pontuais no atendimento de contratos e um impulso nos prêmios no mercado à vista, afirma Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus.
Leia a seguir avaliações de Maria Lígia Barros:
Brasil pode importar etanol anidro
O Brasil pode importar 150.000-200.000m³ de etanol entre outubro de 2026-março de 2027, com uma eventual abertura de arbitragem a partir de dezembro-janeiro, estimam participantes de mercado ouvidos em pesquisa da Argus.
Se comprovado, o volume significaria desembarques de 30.000-40.000 m³/mês. Seria um incremento no ritmo de importações em relação à média realizada de 4.300 m³/mês entre abril-setembro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Também seria o segundo maior volume das últimas quatro temporadas, atrás apenas de 2025-26.
Fatores que impactam a oferta
A nova previsão surpreende, em uma safra com expectativas de produção recorde de etanol. A possibilidade é ancorada pela visão de um balanço mais apertado de oferta e demanda até o fim da safra, sedimentada pelas chuvas trazidas pelo El Niño e por benefícios concedidos ao etanol hidratado.
Chuvas mais fortes e irregulares em setembro-outubro no Centro-Sul causaram disrupções na moagem de cana-de-açúcar, prejudicando a produção das usinas sucroalcooleiras. Interrupções sucessivas no processo produtivo penalizam mais o anidro que o hidratado, pois sua produção exige etapas adicionais.
Os produtores ainda contam com incentivos do governo para o hidratado, o que desfavorece a fabricação de anidro. O hidratado está desonerado do PIS/Cofins durante 10 de setembro-9 de novembro. Os produtores também estão aptos a receber uma subvenção de R$428/m³ até 9 de novembro, após o benefício de R$251,90/m³ que vigorou entre 10 de setembro-9 de outubro.
O cenário coincide ainda com a alta nos preços de açúcar desde agosto nos mercados internacionais. A valorização fez as sucroenergéticas destinarem mais matéria-prima para a produção do adoçante, reduzindo as expectativas de produção de etanol para este ciclo — embora o movimento seja limitado pelas condições climáticas.
Condições para importação e impacto
A materialização do cenário de importações depende, porém, de fatores como o comportamento do câmbio, o resultado das eleições presidenciais, a duração dos subsídios, a ocorrência de um veranico que permita o avanço da moagem, além dos preços do mercado externo. Parte do mercado mantém o panorama de importações pontuais como cenário-base.
O Brasil importou, até o momento, 26.168m³ de etanol no acumulado desta safra, entre abril-setembro, segundo o MDIC. O volume é 87pc menor que em igual intervalo de 2025.
O impacto da oferta limitada é sentido nas retiradas de contrato de anidro do ciclo 2026-27. Há fornecedores com dificuldades variadas em cumprir as entregas. Algumas usinas estão precisando comprar de outros vendedores para atender os volumes contratados. Compradores também relatam dificuldades para encontrar o produto no mercado à vista.
Autor/Fonte/Veículo: Jornal Cana
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