Magda Chambriard durante cerimônia do pacto pela diversidade, equidade e inclusão nas estatais (Foto Joédson Alves/Agência Brasil)

 

A Petrobras escala pressão política contra o avanço do gas release e tenta evitar que a proposta da ANP vá à consulta pública

‘Dia D’ para o gas release
A diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se reúne nesta sexta-feira (7/8) com os olhares da indústria de gás natural voltados para a pauta do gas release, o programa de desconcentração do mercado que obriga o agente dominante — a Petrobras — a leiloar parte do gás que comercializa para concorrentes.

A Petrobras escalou, desde a semana passada, a pressão política contra o avanço da discussão e tenta evitar que a proposta da ANP vá à consulta pública – revelando, assim, o alcance do programa desenhado pela área técnica da agência.

Acompanhe ao vivo na agência eixos a reunião de diretoria da ANP, a partir das 9h, para acompanhar os desdobramentos do caso.
O programa encontra amplo apoio no setor, sobretudo entre consumidores de gás e comercializadores concorrentes da Petrobras: em pesquisa realizada pela ANP, 95% dos agentes ouvidos classificaram o gas release como fundamental ou importante para abrir o mercado.

Do outro lado, a Petrobras, que responde por cerca de 55% do mercado, trata o gas release como uma tentativa de redistribuir à força uma molécula que está sob seu controle, sem criar gás novo – e sem baixar preços.

Nos bastidores, a estatal foi hábil em enquadrar o mecanismo de desconcentração como uma tentativa de “privatização” do seu gás, o que ajudou a manter o tema rejeitado dentro do governo. A companhia se opõe tanto à liberação de volumes de gás próprio quanto à criação de limites a sua participação na importação.

Em tempo. A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, o que representa um aumento de 97% em relação a igual período de 2025. O resultado, puxado pela valorização do Brent e recordes de produção, permitiu ao Conselho de Administração aprovar a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.

No segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono, a companhia praticamente dobrou o lucro operacional (para R$ 1,38 bilhão), diante do aumento do preço do gás; e registrou um aumento de 6 p.p. na Margem Ebitda (para 17%). As receitas, por sua vez, caíram 1,4%, para R$ 12,15 bilhões.
E o gas release não é o único tema de interesse da indústria de gás na pauta da ANP desta sexta, que ainda inclui:

a retomada da discussão sobre o Plano de Desenvolvimento de Gato do Mato (Orca e Orca Sul), cuja aprovação foi adiada em junho por indefinições sobre a exportação de gás do projeto da Shell;
a revisão das normas de especificações e controle da qualidade do biometano e a autorização excepcional para fornecimento de biometano fora de especificação pela Metagás Biogás e Energia à Ecourbis Ambiental;
e a análise do pedido da VirtuGNL para autorização excepcional à operação de uma instalação de GNV em Parauapebas (PA), destinada exclusivamente ao abastecimento de sua frota própria de caminhões.

Autor/Fonte/Veículo: eixos

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