Sindesc https://sindesc.org.br Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis do Estado de Santa Catarina Thu, 03 Sep 2026 11:57:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Projeto que amplia fiscalização da ANP sobre combustíveis avança no Senado https://sindesc.org.br/2026/09/03/projeto-que-amplia-fiscalizacao-da-anp-sobre-combustiveis-avanca-no-senado/ https://sindesc.org.br/2026/09/03/projeto-que-amplia-fiscalizacao-da-anp-sobre-combustiveis-avanca-no-senado/#respond Thu, 03 Sep 2026 11:57:27 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7415

PLP 109/2025 permite acesso da agência a documentos fiscais de agentes regulados e prevê integração de informações com Receita Federal e fiscos estaduais

A Comissão de Infraestrutura do Senado analisa nesta quarta-feira, 2, o projeto de lei complementar (PLP) 109/2025, que amplia os instrumentos de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ao permitir o acesso a informações fiscais dos agentes regulados. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável no Senado.

O texto autoriza a ANP a acessar dados de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), Notas Fiscais de Consumidor Eletrônicas (NFC-e) e Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-e), mantendo a preservação do sigilo fiscal.

Com o acesso às informações, a agência poderá cruzar dados para identificar operações suspeitas e irregularidades ao longo da cadeia de combustíveis.

O projeto também prevê o compartilhamento de informações entre a ANP, a Receita Federal e as secretarias estaduais de Fazenda em situações com possível repercussão tributária.

Além disso, a manutenção de outorgas e autorizações dos agentes regulados ficará condicionada ao consentimento para o acesso aos dados fiscais, de acordo com regras que ainda deverão ser definidas em regulamentação.

Sindicom defende reforço na fiscalização
O PLP 109/2025 integra as medidas discutidas para ampliar o combate às fraudes no mercado de combustíveis após a Operação Carbono Oculto.

Para Augusto Salomon, presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), a aprovação da proposta pode ampliar a capacidade de fiscalização da ANP.

“O acesso da ANP aos dados de documentos fiscais permitirá identificar com maior precisão e agilidade operações suspeitas e fortalecer o combate a práticas ilegais que geram concorrência desleal e prejudicam todo o mercado”, afirmou.

Segundo Salomon, as distribuidoras que atuam de acordo com a legislação têm interesse no aumento da transparência e da segurança no mercado.

Para o Sindicom, a integração das informações entre os órgãos públicos também pode reduzir brechas utilizadas por agentes irregulares e fortalecer o combate à concorrência desleal no setor de combustíveis.

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/09/03/projeto-que-amplia-fiscalizacao-da-anp-sobre-combustiveis-avanca-no-senado/feed/ 0
Levedura desenvolvida na Unicamp pode tornar a produção de etanol de milho mais eficiente https://sindesc.org.br/2026/09/02/levedura-desenvolvida-na-unicamp-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/ https://sindesc.org.br/2026/09/02/levedura-desenvolvida-na-unicamp-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/#respond Wed, 02 Sep 2026 11:26:07 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7401
Da esquerda para direita, Beatriz de Oliveira Vargas, Marcelo Falsarella Carazzolle, Gonçalo Amarante Guimarães Pereira e Fellipe da Silveira Bezerra de Mello: ferramenta de bioinformática e análise computacional para auxiliar na pesquisa (Imagem: Divulgação)

 

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma levedura geneticamente modificada que aumenta a eficiência da fermentação do milho para a produção de etanol

Texto: André Gobi – Inova Unicamp

Fotos: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp

A produção de etanol de milho é um fenômeno recente no Brasil, mas essa indústria já responde por cerca de 30% da produção de etanol do país, que é um dos maiores produtores mundiais do biocombustível. Para acompanhar esse crescimento acelerado, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma levedura geneticamente modificada capaz de aumentar a eficiência da fermentação do milho.

A invenção foi desenvolvida por pesquisadores do Laboratório de Genômica e bioEnergia do Instituto de Biologia (IB) da Universidade, e foi coordenada por Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, docente do IB. A tecnologia foi protegida e licenciada para a empresa-filha da Unicamp, BIOINFOOD, por meio de estratégia da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp), com interveniência da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

O desafio da fermentação para etanol de milho
O etanol de milho surgiu como alternativa complementar ao etanol de cana-de-açúcar, uma vez que o milho oferece vantagens logísticas importantes. Diferentemente da cana, que precisa ser processada em até 48 horas após o corte, o grão de milho pode ser armazenado em silos por meses sem perder qualidade. Essa característica permite que produtores aproveitem a entressafra da soja para cultivar milho, o que favorece a rotação de culturas e reduz o impacto ambiental. Além disso, a cadeia produtiva do milho gera subprodutos de alto valor, como óleo e ração animal, o que torna a biorrefinaria do milho ainda mais atrativa economicamente.

“O custo do etanol de milho é muito inferior ao custo do etanol de cana, e muito menos complexo de fazer, porque eles não têm a parte agrícola. Após ser colhido, o milho pode ser armazenado, coisa que não é possível com a cana”, enfatiza Pereira.

Apesar das vantagens, o processo de fermentação do milho enfrenta um desafio técnico específico. A levedura tradicionalmente usada na produção de etanol converte facilmente o açúcar da cana em etanol. Porém, o milho não contém esse mesmo tipo de açúcar. Seu principal componente é o amido, uma longa cadeia de moléculas de glicose que a levedura não consegue processar diretamente.

Para resolver isso, é preciso quebrar o amido em moléculas menores antes da fermentação, em um processo que usa duas enzimas chamadas amilases. A primeira, a alfa-amilase, atua em alta temperatura, geralmente acima de 90 graus Celsius, e fragmenta o amido em cadeias médias. A segunda, a glucoamilase, atua durante a fermentação e finaliza a quebra, transformando essas cadeias em moléculas de glicose que a levedura consegue fermentar.

O problema é que a alfa-amilase tradicional só funciona em alta temperatura, incompatível com a fase de fermentação, que ocorre por volta de 30 graus. Por isso, ela precisa ser adicionada antes, em uma etapa separada, o que encarece o processo. Além disso, mesmo com essa etapa prévia, uma parte do amido, estimada em cerca de dez por cento, não é totalmente quebrada e acaba descartada durante a fermentação, reduzindo o rendimento final de etanol.

Solução com bioinformática e potencial de mercado
A tecnologia desenvolvida na Unicamp atua como uma solução justamente para esse gargalo. Usando ferramentas de bioinformática e análise computacional de grandes bancos de dados genômicos, a equipe procurou enzimas ainda não usadas em leveduras industriais. O critério mais desafiador foi encontrar uma alfa-amilase capaz de funcionar em baixa temperatura, próxima à da fermentação, algo raro entre as enzimas conhecidas, já que a quase totalidade delas só funciona em altas temperaturas.

“Foi um esforço grande de procurar, nos milhões de dados públicos de proteínas que existem, de todos os organismos sequenciados, uma alfa-amilase que atua em baixa temperatura. 99,9% das alfa-amilases só funcionam a 80 graus”, explica Marcelo Falsarella Carazzolle, um dos pesquisadores responsáveis pela tecnologia.

Após identificar as enzimas promissoras, a equipe inseriu os genes correspondentes em uma levedura industrial e criou uma linhagem capaz de produzir sozinha tanto a nova alfa-amilase quanto uma nova glucoamilase, sem depender da adição externa dessas enzimas durante o processo. Em testes de bancada, comparando a nova levedura com uma linhagem convencional, os pesquisadores verificaram que a nova cepa dispensa completamente a adição de glucoamilase externa e ainda consegue quebrar parte do amido residual que normalmente se perde no processo tradicional.

Essa dupla capacidade representa uma vantagem direta para a indústria, com potencial de aumentar a produção de etanol usando a mesma quantidade de milho, além de reduzir custos com a compra de enzimas comerciais.

Licenciamento e potencial de mercado

Todo o trabalho de identificação das enzimas foi realizado em pouco mais de dois anos, um prazo relativamente curto que se tornou possível graças à velocidade de reprodução dos microrganismos usados nos experimentos. Embora recentes, os resultados obtidos na pesquisa já demonstraram potencial suficiente para atrair o interesse do mercado.

Atualmente, a invenção está licenciada para a empresa-filha da Unicamp, BIOINFOOD, que valida a tecnologia em escalas maiores e ajuda os pesquisadores a acessar amido hidrolisado proveniente de processos industriais reais, algo que não era possível reproduzir em condições de bancada.

Segundo os pesquisadores, o objetivo dessa nova etapa é confirmar em escala industrial os ganhos observados em laboratório, principalmente a redução do amido não aproveitado no processo convencional. Se confirmados, esses resultados podem tornar a levedura um produto comercial relevante para toda a cadeia de produção de etanol de milho no Brasil.

“Essa é uma tecnologia de altíssimo nível científico. É nosso papel transformá-la em um produto comercial relevante, com todo o rigor de validação que a escala industrial exige”, comenta Gleidson Teixeira, Co-fundador, Diretor Científico & Comercial na BIOINFOOD.

Sobre a Inova Unicamp

A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campi. A Inova apoia a comunidade na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia, na consolidação de acordos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e o setor empresarial. Ela também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e capacitações.

Prêmio Inventores 2026

Em sua 19ª edição, o Prêmio Inventores da Unicamp, organizado pela Inova Unicamp, reconhece e valoriza os inventores que se destacaram na transferência de tecnologias da Universidade e na criação de empresas spin-offs acadêmicas.

Inventores Premiados

Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, Fellipe da Silveira Bezerra de Mello, Marcelo Falsarella Carazzolle, Beatriz de Oliveira Vargas e Lara Isensee Saboya de Sousa, Thais Oliveira Secches, Jade Ribeiro dos Santos na categoria Propriedade Intelectual Licenciada em 2026.

Confira a lista completa de todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.

Programação de homenagens de 2026

Em comemoração ao Prêmio Inventores 2026, a Inova Unicamp organizou uma série de homenagens. Entre elas, estão reportagens destacando casos premiados deste ano, disponíveis para leitura nos sites da Inova Unicamp e do Prêmio Inventores.

O Prêmio Inventores 2026 tem o apoio institucional do Lumina, o Fundo Patrimonial da Unicamp, e o patrocínio de ClarkeModet e FM2S.

Autor/Fonte/Veículo: Jornal Cana

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/09/02/levedura-desenvolvida-na-unicamp-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/feed/ 0
Levedura pode tornar a produção de etanol de milho mais eficiente https://sindesc.org.br/2026/09/01/levedura-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/ https://sindesc.org.br/2026/09/01/levedura-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/#respond Tue, 01 Sep 2026 11:38:16 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7389

Pesquisadores encontraram enzimas para desenvolver novo micro-organismo com potencial de aumentar a produção de etanol

A produção de etanol de milho é um fenômeno recente no Brasil, mas essa indústria já responde por cerca de 30% da produção de álcool etílico do país, que é o segundo maior produtor mundial desse biocombustível.

Para acompanhar esse crescimento acelerado, pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma levedura geneticamente modificada capaz de aumentar a eficiência da fermentação do milho.

A invenção foi desenvolvida por pesquisadores do Laboratório de Genômica e Bioenergia do Instituto de Biologia (IB) da universidade, sob a coordenação do professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira.

A tecnologia foi protegida e licenciada para a Bioinfood, empresa-filha da Unicamp, por meio de estratégia da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp), com participação da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

O desafio da fermentação do milho
O etanol de milho surgiu como alternativa complementar ao etanol de cana-de-açúcar, uma vez que o milho oferece vantagens logísticas importantes. Diferentemente da cana, que precisa ser processada até 48 horas após o corte, o grão de milho pode ser armazenado em silos por meses sem perder qualidade.

Essa característica permite que produtores aproveitem a entressafra da soja para cultivar milho, o que favorece a rotação de culturas e reduz o impacto ambiental. Além disso, a cadeia produtiva do milho gera subprodutos de alto valor, como óleo e ração animal, o que torna a biorrefinaria do milho ainda mais atrativa economicamente.

“O custo do etanol de milho é muito inferior ao custo do etanol de cana, e muito menos complexo de fazer, porque, após colhido, o milho pode ser armazenado, coisa que não é possível com a cana”, enfatiza Pereira.

Apesar das vantagens, o processo de fermentação do milho enfrenta um desafio técnico específico. A levedura tradicionalmente usada na produção de etanol converte facilmente o açúcar da cana em etanol. Porém, o milho não contém esse mesmo tipo de açúcar. Seu principal componente é o amido, uma longa cadeia de moléculas de glicose que a levedura não consegue processar diretamente.

Para resolver isso, é preciso quebrar o amido em moléculas menores antes da fermentação, em um processo que usa duas enzimas chamadas amilases. A primeira, a alfa-amilase, fragmenta o amido em cadeias médias. A segunda, a glucoamilase, atua durante a fermentação e finaliza a quebra, transformando essas cadeias em moléculas de glicose que a levedura consegue fermentar.

O problema é que a alfa-amilase tradicional só funciona em temperaturas superiores a 90°C, o que é incompatível com a fase de fermentação, que ocorre por volta de 30°C. Por isso, ela precisa ser adicionada antes, em uma etapa separada, o que encarece o processo.

Além disso, mesmo com essa etapa prévia, cerca de 10% dos amidos não são totalmente quebrados e acabam descartados durante a fermentação, reduzindo o rendimento final de etanol.

Solução com ajuda computacional
A tecnologia desenvolvida na Unicamp atua como uma solução justamente para esse gargalo. Usando ferramentas de bioinformática e análise computacional de grandes bancos de dados genômicos, a equipe procurou enzimas ainda não usadas em leveduras industriais.

O critério mais desafiador foi encontrar uma alfa-amilase capaz de funcionar em baixa temperatura, próxima à da fermentação, algo raro entre as enzimas conhecidas, já que a quase totalidade delas só funciona em altas temperaturas.

“Foi um esforço grande de procurar, nos milhões de dados públicos de proteínas que existem, de todos os organismos sequenciados, uma alfa-amilase que atuasse em baixa temperatura, já que 99,9% das alfa-amilases só funcionam a 90°C”, explica Marcelo Falsarella Carazzolle, um dos pesquisadores responsáveis pela tecnologia.

Após identificar as enzimas promissoras, a equipe inseriu os genes correspondentes em uma levedura industrial e criou uma linhagem capaz de produzir sozinha tanto a nova alfa-amilase quanto uma nova glucoamilase, sem depender da adição externa dessas enzimas durante o processo.

Em testes de bancada, comparando a nova levedura com uma linhagem convencional, os pesquisadores verificaram que a nova cepa dispensa completamente a adição de glucoamilase externa e ainda consegue quebrar parte do amido residual que normalmente se perde no processo tradicional.

Essa dupla capacidade representa uma vantagem direta para a indústria, com potencial de aumentar a produção de etanol usando a mesma quantidade de milho, além de reduzir custos com a compra de enzimas comerciais.

Licenciamento e potencial de mercado
Todo o trabalho de identificação das enzimas foi realizado em pouco mais de dois anos, um prazo relativamente curto que se tornou possível graças à velocidade de reprodução dos microrganismos usados nos experimentos. Embora recentes, os resultados obtidos na pesquisa já demonstraram potencial suficiente para atrair o interesse do mercado.

Atualmente, a invenção está licenciada para a Bioinfood, que valida a tecnologia em escalas maiores e ajuda os pesquisadores a acessar amido hidrolisado proveniente de processos industriais reais, algo que não era possível reproduzir em condições de bancada.

Segundo os pesquisadores, o objetivo dessa nova etapa é confirmar em escala industrial os ganhos observados em laboratório, principalmente a redução do amido não aproveitado no processo convencional. Se confirmados, esses resultados podem tornar a levedura um produto comercial relevante para toda a cadeia de produção de etanol de milho no Brasil.

“Essa é uma tecnologia de altíssimo nível científico. É nosso papel transformá-la em um produto comercial relevante, com todo o rigor de validação que a escala industrial exige”, comenta o cofundador e diretor científico e comercial da Bioinfood, Gleidson Teixeira.

Inova Unicamp| André Gobi

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/09/01/levedura-pode-tornar-a-producao-de-etanol-de-milho-mais-eficiente/feed/ 0
Segundo estimativas do ICL, integração público-privada retirou cerca de 10 bilhões de litros da ilegalidade no mercado de combustíveis https://sindesc.org.br/2026/08/31/segundo-estimativas-do-icl-integracao-publico-privada-retirou-cerca-de-10-bilhoes-de-litros-da-ilegalidade-no-mercado-de-combustiveis/ https://sindesc.org.br/2026/08/31/segundo-estimativas-do-icl-integracao-publico-privada-retirou-cerca-de-10-bilhoes-de-litros-da-ilegalidade-no-mercado-de-combustiveis/#respond Mon, 31 Aug 2026 11:18:26 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7369

O avanço do mercado ilegal no setor de combustíveis deixou de ser apenas uma disputa comercial ou uma questão de fiscalização tributária para se tornar uma grave ameaça à segurança pública e ao desenvolvimento do Brasil, mas esse cenário está mudando. Essa foi a tônica da avaliação feita por Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), durante o seminário Mercado Ilegal, promovido na quinta-feira (27), em Brasília, pelo O Globo, Valor Econômico e Extra, além da rádio CBN.

No encontro, Kapaz apresentou um dado importante: a integração entre poder público, órgãos de fiscalização e iniciativa privada já teria deslocado aproximadamente 10 bilhões de litros do mercado ilegal para o mercado formal. Para o presidente do ICL, os resultados mostram que o país vive um dos momentos mais relevantes de enfrentamento à chamada “economia do crime”, mas o avanço precisa ser acompanhado de fiscalização permanente, fortalecimento regulatório e novas mudanças legislativas.

Participaram também do seminário Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP); Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e Maria Rosa Guimarães Loula, secretária nacional de Justiça, entre outras autoridades.

Emerson Kapaz participou do painel ‘Fraudes no setor de combustíveis: adulteração, evasão fiscal e crime organizado’, e chamou atenção para o crescimento da infiltração do crime organizado na cadeia de suprimentos de derivados de petróleo e na revenda de combustíveis. Segundo o executivo, facções criminosas vêm utilizando postos de gasolina e distribuidoras irregulares como ferramentas de fachada para lavar dinheiro obtido em atividades ilícitas, enfraquecendo a concorrência leal.

“Infelizmente, o crime organizado atua de forma dinâmica em quase 20 setores da economia. O que a gente percebe é que essa economia do crime é capaz de gerar cerca de R$ 450 bilhões e não está minimamente preocupada em seguir leis… no caso de combustíveis, as fraudes vão do poço ao posto. O crime entrou na cadeia produtiva longa, e começou a se sofisticar, com um faturamento de quase R$ 1 trilhão por ano, com arrecadação de quase R$ 240 bilhões”, apontou.

Importância das grandes operações
O presidente do ICL destacou que no dia 28 de agosto faz um ano que a Operação Carbono Oculto foi realizada. Segundo ele, não houve, na história de nosso país, uma iniciativa como a Carbono Oculto, estabelecendo uma integração fantástica entre todos os segmentos e elos de investigação, incluindo o setor privado. Para Kapaz, é de extrema importância a continuidade das operações para desmotivar a volta do crime organizado no segmento.

“Foram mais de 1500 homens na rua, mais de 320 buscas e apreensões, e deu frutos. Já tivemos uma sequência importantíssima, Operação Tanque, Quasar, Poço de Lobato, essa última representou outro marco, liderada pelos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Essa operação conseguiu asfixiar uma das empresas que administrava o governo do Rio de Janeiro por dentro. Uma empresa de combustível que tinha uma infiltração e nada acontecia com ela, porque tinha gente espalhada na área ambiental, na Receita…”, frisou.

O enfrentamento do crime organizado já mostra resultados na prática. De acordo com Kapaz, o Rio de Janeiro saiu da ilegalidade para a legalidade, transformando o Estado em um dos maiores arrecadadores em combustíveis do Brasil.

“De janeiro a setembro desse ano, foram 50% a mais de arrecadação em combustíveis. São Paulo também arrecadou mais, depois da iniciativa de solidariedade tributária, colocando nove distribuidoras de São Paulo em regime especial, congêneres da Refit”, explicou.

Para Kapaz, o setor de combustíveis está vivendo um dos seus melhores momentos. “É um exemplo nítido de que a integração dos setores públicos e privado dá resultado no enfrentamento do crime organizado”, completou.

Foto: Wenderson Araújo/Valor

Autor/Fonte/Veículo: Instituto Combustível Legal

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/31/segundo-estimativas-do-icl-integracao-publico-privada-retirou-cerca-de-10-bilhoes-de-litros-da-ilegalidade-no-mercado-de-combustiveis/feed/ 0
Etanol tem sido usado por apenas 29% da frota flex, destaca a Datagro https://sindesc.org.br/2026/08/28/etanol-tem-sido-usado-por-apenas-29-da-frota-flex-destaca-a-datagro/ https://sindesc.org.br/2026/08/28/etanol-tem-sido-usado-por-apenas-29-da-frota-flex-destaca-a-datagro/#respond Fri, 28 Aug 2026 13:22:53 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7362

Apesar da vantagem econômica sobre a gasolina, o etanol hidratado é usado por apenas 29% da frota flex

O etanol hidratado tem sido usado neste ano por apenas 29% da frota brasileira de carros flex, apesar da vantagem econômica sobre a gasolina na maior parte do país, destaca a consultoria Datagro segundo a Reuters.

O cenário acende alerta no setor sucroenergético e no mercado global de açúcar.

O percentual, que se mantém nesse patamar desde 2024, é superior aos cerca de 22% registrados em 2023, mas ainda distante dos 36,7% observados em 2019 — período em que a relação de preços era menos favorável ao biocombustível do que agora.

Em entrevista à Reuters, o presidente da Datagro, Plinio Nastari, classificou a situação como um paradoxo: o etanol tem neste ano preço relativo vantajoso frente à gasolina em 67% do território nacional, mas praticamente não ampliou sua participação.

Autor/Fonte/Veículo: Jornal Cana

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/28/etanol-tem-sido-usado-por-apenas-29-da-frota-flex-destaca-a-datagro/feed/ 0
ANP disponibiliza participação social em mudanças na ferramenta do RenovaBio https://sindesc.org.br/2026/08/27/anp-disponibiliza-participacao-social-em-mudancas-na-ferramenta-do-renovabio/ https://sindesc.org.br/2026/08/27/anp-disponibiliza-participacao-social-em-mudancas-na-ferramenta-do-renovabio/#respond Thu, 27 Aug 2026 11:38:55 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7343 ]]> https://sindesc.org.br/2026/08/27/anp-disponibiliza-participacao-social-em-mudancas-na-ferramenta-do-renovabio/feed/ 0 Plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê incentivos a biocombustíveis, diz Marinho https://sindesc.org.br/2026/08/26/plano-de-governo-de-flavio-bolsonaro-preve-incentivos-a-biocombustiveis-diz-marinho/ https://sindesc.org.br/2026/08/26/plano-de-governo-de-flavio-bolsonaro-preve-incentivos-a-biocombustiveis-diz-marinho/#respond Wed, 26 Aug 2026 11:09:51 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7330

O coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), saiu em defesa do candidato após críticas da oposição e de governistas a uma declaração de Flávio sobre o etanol.

“Flávio Bolsonaro é um defensor do setor sucroenergético e dos biocombustíveis. Seu plano de governo propõe transformar o Brasil em potência de biocombustíveis, fortalecer e ampliar o RenovaBio para o exterior e aplicar a lei do Combustível do Futuro, permitindo que o Brasil venda créditos de carbono ao mundo”, disse Marinho, em nota à imprensa.

A manifestação de Marinho ocorre em meio à repercussão negativa sobre a fala de Flávio Bolsonaro que disse que “a gasolina virou etanol” e criticou o aumento da mistura obrigatória do biocombustível na gasolina em live semanal na última quinta-feira, 20.

Na ocasião, o candidato apontou para possibilidade de rediscussão da mistura obrigatória do etanol à gasolina, caso eleito. A declaração despertou reação imediata do setor sucroenergético e de ex-ministros do governo Lula.

Na nota, Marinho disse que o plano de governo de Flávio Bolsonaro apresenta “formas eficientes e permanentes de incentivar o setor”. Entre os incentivos, Marinho citou a possível redução de impostos incidentes sobre o etanol hidratado, simplificação tributária e crédito para inovação em biogás e hidrogênio verde.

Sobre a mistura de etanol na gasolina, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a presença do etanol “deve ser tratada como política de Estado”.

“Valoriza a nossa produção agrícola, melhora o ar de nossas cidades, reduz a dependência de combustíveis importados e, em consequência, aumenta a segurança energética do país. O que não se pode é transformar essa política em instrumento episódico para tentar conter a alta dos preços às vésperas de uma eleição, como ocorreu no governo Lula”, disse.

A declaração faz uma referência indireta ao incremento do porcentual obrigatório de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado em julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em caráter emergencial diante da guerra no Oriente Médio e, consequente, disparada dos preços do petróleo.

Por fim, Marinho disse que “Flávio Bolsonaro entende a relevância do setor de biocombustíveis para o desenvolvimento do país”.

Agência Estado

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/26/plano-de-governo-de-flavio-bolsonaro-preve-incentivos-a-biocombustiveis-diz-marinho/feed/ 0
Usinas de etanol podem formar arranjos coletivos para venda e armazenamento de CO₂ https://sindesc.org.br/2026/08/25/usinas-de-etanol-podem-formar-arranjos-coletivos-para-venda-e-armazenamento-de-co%e2%82%82/ https://sindesc.org.br/2026/08/25/usinas-de-etanol-podem-formar-arranjos-coletivos-para-venda-e-armazenamento-de-co%e2%82%82/#respond Tue, 25 Aug 2026 11:36:49 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7320

Modelo prevê que grupos de unidades comercializem o carbono gerado na produção de etanol para empresas responsáveis pela captura e armazenamento geológico

Usinas de etanol podem formar arranjos coletivos para comercializar o CO₂ gerado durante a produção do biocombustível e transformá-lo em uma nova fonte de receita. O modelo prevê a venda do carbono por uma unidade ou por grupos de usinas a empresas responsáveis pela captura e pelo armazenamento permanente do gás em reservatórios geológicos, dentro de projetos de Carbon Capture and Storage (CCS).

Segundo Milas Evangelista, consultor da Renovar Sustentabilidade, especializada em projetos de CCS e de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS), uma das possibilidades é estruturar os projetos sem que as próprias usinas precisem realizar os investimentos necessários à captura e à estocagem.

“Neste modelo de negócios, a usina ou um grupo delas vende o carbono a outra empresa que irá capturá-lo e armazená-lo, o que torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo”, afirma Evangelista.

A possibilidade ganha relevância no setor sucroenergético pelas características do CO₂ liberado durante a fabricação de etanol. No processo de fermentação, os açúcares são convertidos em álcool e há liberação de um fluxo de dióxido de carbono com elevado grau de concentração.

De acordo com Everton Oliveira, presidente da Hidroplan e um dos organizadores do Carbonless Summit, essa característica pode facilitar o aproveitamento do CO₂ quando comparada a atividades industriais nas quais o gás precisa ser separado de outros componentes antes da captura.

“Na produção de etanol, a fermentação converte os açúcares em álcool e libera CO₂ praticamente puro, que na maior parte das usinas é simplesmente liberado para a atmosfera. Entretanto, esse fluxo relativamente concentrado de CO₂ oferece uma oportunidade singular”, afirma.

Armazenamento pode abrir novas fontes de receita
Após a captura e compressão, o CO₂ pode ser transportado para estruturas de armazenamento permanente em reservatórios geológicos profundos. No caso do etanol, o conceito de BECCS combina a produção de bioenergia com a captura e estocagem do carbono de origem biogênica.

“Como o carbono originalmente foi retirado da atmosfera pela fotossíntese e deixa de retornar ao ciclo atmosférico, o resultado líquido é a remoção de CO₂ da atmosfera”, explica Oliveira.

Além da venda direta do CO₂ para empresas responsáveis pelo armazenamento, o setor avalia outras possibilidades de monetização associadas aos projetos. Entre elas estão a comercialização de créditos de carbono, a certificação de etanol com pegada negativa e o acesso a mercados que valorizam combustíveis com menor intensidade de carbono.

O conteúdo divulgado também aponta como possibilidades a melhoria da nota de eficiência energético-ambiental no RenovaBio e, consequentemente, a geração adicional de CBios, além do acesso a fundos ligados à sustentabilidade e a mercados de baixo carbono, como aviação e navegação.

CCS será debatido em Ribeirão Preto
Os modelos individuais e coletivos de captura e armazenamento de carbono estarão entre os temas da segunda edição do Carbonless Summit, marcada para 2 de setembro, no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto (SP).

Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o encontro também discutirá regulação, licenciamento e modelos de mercado relacionados ao armazenamento de carbono. A programação reunirá representantes do setor sucroenergético, autoridades e empresas das áreas de tecnologia, engenharia, finanças, seguros, advocacia e consultoria.

A discussão ocorre em um momento em que o setor busca ampliar o valor econômico associado à descarbonização da produção de etanol, transformando o CO₂ gerado na fermentação em um ativo que pode integrar novos modelos de negócios.

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/25/usinas-de-etanol-podem-formar-arranjos-coletivos-para-venda-e-armazenamento-de-co%e2%82%82/feed/ 0
Flávio: Vamos ter que discutir a quantidade de etanol na gasolina após mudanças https://sindesc.org.br/2026/08/24/flavio-vamos-ter-que-discutir-a-quantidade-de-etanol-na-gasolina-apos-mudancas/ https://sindesc.org.br/2026/08/24/flavio-vamos-ter-que-discutir-a-quantidade-de-etanol-na-gasolina-apos-mudancas/#respond Mon, 24 Aug 2026 11:11:25 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7300

Em julho, o governo federal elevou de 30% para 32% o porcentual obrigatório de etanol misturado à gasolina
O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, criticou nesta quinta-feira (20) o aumento do porcentual de etanol na gasolina promovido pelo governo Lula (PT). Em julho, uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou de 30% para 32% o porcentual obrigatório de etanol
anidro misturado à gasolina. A medida vale por 180 dias, prorrogáveis por igual período.“É verdade. Uma coisa que a gente vai ter que discutir, essa quantidade de etanol que tem dentro da gasolina. Porque, hoje, as pessoas vão comprar uma barrinha de chocolate no mercado, era de 200 gramas, agora, 160. Vai comprar um rolo de papel higiênico, que era de 40 metros, hoje tem 36. Caixa de Bis, que vinha com 20, agora vem com 16. Dúzia de ovos passou a ter dez. A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando”, afirmou o presidenciável em sua live semanal no YouTube, ao lado do candidato do PP ao Senado por São Paulo, deputado federal Guilherme Derrite.
Flávio disse ainda que há “outras formas” de incentivar o setor sucroenergético no Brasil, sem necessariamente aumentar o porcentual da mistura do biocombustível à gasolina.

Estadão Conteúdo

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/24/flavio-vamos-ter-que-discutir-a-quantidade-de-etanol-na-gasolina-apos-mudancas/feed/ 0
Captura e armazenamento de carbono desponta como nova fonte de receita para usinas de etanol https://sindesc.org.br/2026/08/21/captura-e-armazenamento-de-carbono-desponta-como-nova-fonte-de-receita-para-usinas-de-etanol/ https://sindesc.org.br/2026/08/21/captura-e-armazenamento-de-carbono-desponta-como-nova-fonte-de-receita-para-usinas-de-etanol/#respond Fri, 21 Aug 2026 11:07:07 +0000 https://sindesc.org.br/?p=7263

CO₂ concentrado gerado durante a fermentação pode ser armazenado permanentemente e abre possibilidades de monetização para o setor sucroenergético

Depois de transformar vinhaça, bagaço e palha da cana-de-açúcar em insumos para novas atividades, o setor sucroenergético começa a olhar para o dióxido de carbono (CO₂) gerado na produção de etanol como mais uma possibilidade de geração de receita. A oportunidade está na captura e armazenamento de carbono, conhecida pela sigla CCS (Carbon Capture and Storage), que permite armazenar permanentemente o gás em reservatórios geológicos profundos.

No caso das usinas de etanol, uma das vantagens está nas características do próprio processo produtivo. Durante a fermentação, os açúcares são convertidos em álcool e ocorre a liberação de um fluxo de CO₂ com elevado grau de concentração, diferentemente de outros processos industriais nos quais é necessário separar o dióxido de carbono de outros gases.

Atualmente, esse CO₂ é liberado para a atmosfera na maior parte das unidades. A possibilidade de capturá-lo, comprimi-lo, transportá-lo e armazená-lo geologicamente abre uma nova frente para a descarbonização e para a geração de valor a partir da produção de etanol.

Segundo Everton Oliveira, presidente da Hidroplan e um dos organizadores do Carbonless Summit, uma das possibilidades envolve a participação de empresas especializadas no armazenamento do carbono.

“Neste modelo de negócios, a usina vende o carbono a uma outra empresa que irá armazená-lo, o que torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo”, afirma.

De acordo com Oliveira, a concentração do CO₂ proveniente da fermentação representa uma vantagem para o setor.

“Na produção de etanol, a fermentação converte os açúcares em álcool e libera CO₂ praticamente puro, que na maior parte das usinas é simplesmente liberado para a atmosfera. Entretanto, esse fluxo relativamente concentrado de CO₂ oferece uma oportunidade singular”, explica.

Após a compressão, o gás pode ser transportado para reservatórios geológicos profundos, onde permanece armazenado. Segundo Oliveira, como o carbono foi originalmente retirado da atmosfera pela cana durante a fotossíntese e não retorna à atmosfera após o armazenamento, o processo pode resultar em remoção líquida de CO₂.

Monetização pode ir além da venda do CO₂
Entre as possibilidades apontadas para monetizar o carbono está a própria venda do CO₂ capturado para empresas responsáveis por seu armazenamento.

O material também aponta modelos mais avançados que podem envolver a comercialização de créditos de carbono, certificação do etanol com pegada negativa e geração adicional de Créditos de Descarbonização (CBios) a partir de uma melhora na Nota de Eficiência Energético-Ambiental do RenovaBio.

Outras possibilidades citadas incluem acesso a fundos globais destinados a projetos de sustentabilidade e entrada diferenciada em mercados de baixo carbono, como os segmentos de aviação e navegação comercial.

A cadeia de CCS aproveita tecnologias desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo dos anos pela indústria de petróleo, especialmente conhecimentos relacionados ao armazenamento de fluidos em formações geológicas.

No setor sucroenergético, a aplicação dessas tecnologias pode adicionar uma nova etapa à trajetória de aproveitamento de produtos e subprodutos da cana. A vinhaça passou a ser utilizada na fertilização dos canaviais, enquanto bagaço e palha ganharam espaço na geração de bioeletricidade, na produção de etanol de segunda geração e em outras aplicações.

CCS será debatido em evento em Ribeirão Preto
As oportunidades de aplicação e monetização do armazenamento de carbono pelas usinas estarão entre os temas da segunda edição do Carbonless Summit, marcada para 2 de setembro, no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto (SP).

Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o encontro também discutirá regulação, licenciamento e o mercado de armazenamento de carbono.

O evento deverá reunir representantes do setor sucroenergético, autoridades e empresas ligadas à cadeia de CCS, incluindo fornecedores de tecnologia e engenharia e profissionais das áreas financeira, de seguros, jurídica e de consultoria.

SERVIÇO:
Carbonless Summit – 2ª. edição
Data: 02 de setembro de 2026
Local: Centro de Convenções da Cana do IAC (Agrishow), Ribeirão Preto (SP)

DETALHES E INSCRIÇÕES:
https://carbonless.org.br/

Autor/Fonte/Veículo: RPA News

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sindesc.

]]>
https://sindesc.org.br/2026/08/21/captura-e-armazenamento-de-carbono-desponta-como-nova-fonte-de-receita-para-usinas-de-etanol/feed/ 0