Navios tanque petroleiros navegam próximo a Tessalônica, na Grécia | Foto John Maravelakis/Unsplash)
A normalização das exportações de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz após o acordo de paz firmado entre Estados Unidos e Irã na semana passada ainda é percebida como incerta pelo mercado — e esse sentimento deve seguir afetando os preços do barril.
O memorando de entendimento assinado na quarta-feira (17/6) deu o pontapé inicial nos 60 dias de negociações para o fim do conflito e ampliou a navegação na região nos últimos dias, mas ainda não há um retorno massivo dos navios.
As conversas sobre os termos finais para a paz tiveram início no domingo (21), na Suíça.
Entretanto, o fim de semana foi marcado por informações controversas, com o presidente dos EUA, Donald Trump, fazendo novas ameaças ao Irã e relatos na mídia iraniana de que o estreito seria fechado novamente. (Bloomberg/Valor)
Um dos fatores cruciais para a retomada das exportações é a confiança dos armadores de que os navios podem passar pela região sem riscos. Por isso, nesse momento de incertezas, a tendência é de um aumento gradual no tráfego.
“A situação muda de um dia para o outro, de uma hora para a outra”, disse à Fox News o diretor executivo da Chubb Ltd, Evan Greenberg. A companhia é uma das principais seguradoras do transporte marítimo comercial. (O Globo)
É provável, inclusive, que “o novo normal” da região passe a ser uma redução estrutural da dependência do Estreito de Ormuz, com a diversificação das exportações por outras rotas.
Uma das principais alternativas é por meio do Mar Vermelho.
Segundo a Argus, as tarifas de frete de petroleiros por essa rota subiram nos últimos dias, à medida que os contratantes buscam garantir navios antes de uma possível corrida para o Golfo do Oriente Médio.
O frete de um VLCC saindo de Yanbu, no Mar Vermelho, para o nordeste da Ásia subiu de US$ 4,47/barril no final da semana passada para US$ 5,58/barril em 17 de junho.
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O Goldman Sachs projeta que as exportações pelo Estreito de Ormuz vão retornar aos níveis pré-guerra ao final de julho, quando o fluxo na região deve atingir 70% do registrado antes do conflito.
Já a Argus acredita que não deve haver uma retomada efetiva do tráfego antes de setembro, o que manterá a oferta global de petróleo e derivados restrita, já que as rotas alternativas ainda não são capazes de substituir completamente Ormuz.
“Não é surpresa que os planos para construção de infraestrutura de exportação que contorne esse gargalo estejam se acelerando na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait — embora esses projetos demorem muitos meses, e em alguns casos anos, para se concretizar”, afirma a analista de petróleo da Argus, Martha Tallas.
Autor/Fonte/Veículo: eixos
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